Fundamentação Teórica

A educação para a libertação deve privilegiar o exercício da compreensão crítica da realidade e possibilitar não só a leitura da palavra, a leitura do texto, mas também a leitura do contexto, a leitura do mundo:

Segundo Freire:
A educação que se impõe aos que verdadeiramente se comprometem com a libertação não pode fundar-se numa compreensão dos homens como seres “vazios” a quem o mundo “encha” de conteúdos; não pode basear-se numa consciência especializada, mecanicistamente compartimentada, mas nos homens como “corpos conscientes” e na consciência como consciência intencionada ao mundo. Não pode ser a do depósito de conteúdos, mas a da problematização dos homens em suas relações com o mundo. (FREIRE, 2004, p.67).

A prática de leitura se faz presente em nossas vidas desde o momento em que começamos a “compreender” o mundo á nossa volta. No constante desejo de decifrar e interpretar o sentido das coisas que nos cercam, de perceber o mundo sob diversas perspectivas, de relacionar a realidade ficcional com a que vivemos, no contato com um livro, enfim, em todos estes casos estamos de certa forma lendo, embora, muitas vezes, não nos demos conta.

A leitura vista como instrumento de mudança sócio-cultural, coloca sobre a escola responsabilidade de facilitar o acesso da mesma as crianças. Ao analisar os Parâmetros Curriculares Nacionais, de Lingua Portuguesa, ao se referir ao Projeto PEdagógico, assim propõe: [...] “um projeto educativo comprometido com a democratização social e cultural atribui á escola a função e a responsabilidade de garantir a todos os seus alunos o acesso aos sabores linguisticos necessários para o exercício da cidadania, direito inalienável de todos”. (PCNS, 1997, p.15).

E, importante, nessa perspectiva, compreender que o desenvolvimento da linguagem oral e escrita permeia todo o processo da construção do conhecimento da criança. E a comunicação do seu pensamento para a descoberta do mundo. Se desde o nascimento a criança constrói gradativamente a sua aprendizagem, precisamos sempre considerá-la como o sujeito do processo da construção do seu conhecimento e, especificamente, neste artigo, da construção da leitura e da escrita.
A escola, pela sua natureza de trabalho que desenvolve e suas responsabilidades sociais, tem um sério compromisso com a liberdade da sociedade brasileira. Este parece ser o momento de romper com as ideologias colocadas ao redor do trabalho crítico dos educadores, para atender ás necessidades reais do nosso povo através do delineamento de um novo “quefazer” educativo, entretanto aqui as as novas finalidades para escola brasileira, sendo um dos componentes mais importantes a “leitura”, podendo nascer uma reflexão conjunta sobre as seguintes questões: engolir a seco ou protestar? reproduzir ou transformar? educar ou domesticar? oprimir ou libertar? criar condições concretas ou acomodar-se?

Cabe a nós no papel de educadores responsáveis pelo desenvolvimento das crianças, inseri-las na construção do seu conhecimento. E, para que isso ocorra se faz necessária uma prática educativa que aceite e valoriza as diferenças individuais, favorecendo a troca de idéias e proporcionando atividades diversificadas para cada necessidade.
Essa prática será viável a partir do momento em que o professor busca fundamentos e metodologias que possibilitem a reflexão de sua prática, propiciando o desenvolvimento da linguagem oral e escrita de maneira dinâmica e integrada.

De acordo com Simó e Roca (2003, p.143)
[...] sem uma reflexão sobre a própria prática, esta se torna automática e corre risco de distanciar-se cada vez mais da realidade mutante da sala de aula. A reflexão é a única via para melhorar o nosso trabalho.

Assim, é primordial ter em mente que é por meio dessa reflexão que exergaremos nossas dificuldades, nos preocupamos com o de
desenvolvimento de nossos alunos e buscamos aprender mais.
Outra questão é o distanciamento entre o como aprendemos quando nos alfabetizamos e o como possibilitaremos aos alunos uma aprendizagem significativa. Uma vez que o nosso processo de alfabetização, muitas vezes, foi sistematizado a partir da simples codificação das palavras, e atualmente, sabemos por meio de estudos de renomados autores, que, antes mesmo da alfabetização propriamente dita, há relevantes aspectos para uma compreensão da construção da escrita.

Para Yunes (2003, p.37), ler significa:
Uma descoberta, mudar de horizonte, interagir com o real, interpretá-lo e decidir sobre ele. Ler é pois interrogar as palavras, duvidar delas; ampliá-las. Deste contato, desta troa nasce o prazer de conhecer, de imaginar, de inventar a vida. O ato de ler é um ato de ler é um ato sensibilidade e da inteligência, da compreensão e da comunhão com o mundo: expandimos o estar no mundo, alcançamos esferas de conhecimentos antes não experimentadas e, no dizer de Aristóteles, nos comovemos e ampliamos a condição humana.
Portanto, todas essas questões poderão ser refletidas pelos educadores através da leitura comprometida com as reais necessidades da massa estudantil, através de um novo projeto educacional, e dos procedimentos metodológicos que deverão ser aplicados da seguinte forma: oferecer oportunidade para que o aluno modele sua própria leitura; trabalhar a compreensão em níveis tão profundos quanto possível, utilizando do método indutivo; utilizar o maior tempo possível para pesquisa, para a busca de informação, para instrumentalizar a construção de atividades e textos próprios; incentivar o aluno em trabalhos coletivos com responsabilidade definida para a produção em grupo; organizar atividades desafiadoras que provoquem enfrentamento, diálogo e discussão; buscar resultado consensuais, nos seminários, nas discussões coletivas, nas proposições do grupo, como exercício efetivo de cidadania; usar os recursos disponíveis no complexo escolar, utilizando dos meios eletrônicos, de informática, de multimídia, de telecomunicações; valorizar a elaboração própria, a construção coletiva, a apresentação de textos; dinamizar o espaço escolar aproveitando os recursos do ambiente; impulsionar o uso da biblioteca, para que os alunos pesquisem, discutam e critiquem aprendendo a ler de modo questionados, construindo argumentos e discutindo com seus pares os caminhos conquistados; ter a preocupação de demonstrar e valorizar o lado prático dos conhecimentos e, amarrar procedimentos teóricos e vivências práticas. O objetivo dessa metodologia é dar autonomia para o aluno desenvolver suas potencialidades com responsabilidade, com dinamismo e com eficiência.
Essas e outras concepções que abordam o desenvolvimento humano representam o avanço para o ensino, dada a sua contribuição ao professor comprometido com a qualidade da Educação que busca caminhos para o desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem.

Algo que ficou bastante claro para a estagiária durante o período é que todas as crianças possuem conhecimentos prévios e que são de extrema importância a valorização desses conhecimentos pelo educador. Sendo realizados trabalhos que estimulam o prazer pela leitura  como por exemplo o Projeto Leitura, “ Passaporte para o conhecimento: uma aventura da China ao Brasil”.

Para que isso ocorra o educador precisa ter uma formação além da sala de aula das universidades, não sendo formada apenas das discussões teóricas adquiridos na graduação, mas também toda a prática e experiências vivenciadas pelo profissional durante a sua prática docente.
Portanto, o estágio supervisionado oferece a oportunidade de se observar o contexto escolar e desenvolver pesquisas e projetos que visem á melhoria da qualidade da  mesma.

Segundo Pimenta e Lima:
“(…) o projeto de pesquisa pode gerar produção de conhecimento sobre o real, responder ás demandas da escola e, assim, elaborar propostas de intervenção entre escola e universidade, viabilizando relacionar teoria e prática e o conhecimento da realidade escolar.” (PIMENTA e  LIMA, 2004 apud Perine, 2006, pg. 39)

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